Mostrando postagens com marcador azulanil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador azulanil. Mostrar todas as postagens

12.10.12

Casa.

fecha-se a porta do bar, os trôpegos saem.


- Olá, mundo. Ou você roda, ou eu estou louca. Olá, loucura, quanto tempo! suspiro. As belas mulheres continuam aqui, as doces amizades também. O céu é ainda brutalmente azul, e o sorriso ainda sai espontâneo.

canta na rua vazia, e dança acompanhando o passo: Bom dia, mundo, é hora de dormir.

infinitas escadas: (O mundo acabar, 
a noite ter seu derradeiro fim. 
Sem uma saideira. 
Beber a cama, 
as nuvens acumuladas sobre o céu de cetim. 
Um trago dela 
um trago dele
 e fim.)

20.4.11

Container.

Então, segurei o choro na garganta.
Da janela eu vi você subir no navio como quem vira a esquina, e se esparramar feito sombra no convés sem olhar para mim. Plantei os cotovelos fundo no batente da janela, enquanto você arrancava docemente aquelas raízes que seguravam meu coração no lugar dele. Eu puxava a âncora com os olhos, naquela esperança tola dos fiéis: se a âncora cair, ela fica. Se eu pedir a âncora cai. Fica. Fica. Fica.
O sal do mar foi levando embora as promessas de colchas bordadas, as promessas de café preto na madrugada, as promessas secretas: os acordos tácitos. As ondas cobrindo silenciosamente o ar das histórias que eu imaginei. Sentada na janela, eu e a praia. Nós duas fazendo castelos de areia, sem lembrar do vento. Sem lembrar da fúria. Sem lembrar da sua vontade.
Do lado de dentro da janela. Nada me acalma, nada me impede, nada me impele a correr atrás de você. Não tiro os olhos do mar, não tiro os olhos do seu navio, cada vez menos nítido. Não tiro as expectativas dos seus pés, que eu já sei o caminho. (Eu já supunha as vigílias a te escrever cartas de amor, a espera das cartas que nunca chegariam d'além mar.)
Sumiu a embarcação. Caíram as lágrimas.

26.11.08

luane. o rosto vermelho do sol do dia, o rosto afogueado da corrida da noite. chuviscava, e corria. no meio da madrugada, era toda sonho: desejo, necessidade, vontade. subia as escadas, pra perto das nuvens. luane chegou num céu, sem estrêlas.

respiro. sorriso. a paz de estar em casa. a menina morava numa cidade de vidro. e, lá de cima, cada casinha era um lume, cada lâmpada uma estrela. e, se fosse sonho, não era tão bom. luane quase se morria de tanto prazer. de olhos, a girar. e então. bolou um plano.

que era passarinha avuadêra, ela já sabia desde que o tempo é tempo. mas, naquele tempo-espaço, ela queria era lançar-se no céu-de-giz. catou retalho, agulha e linha. teceu um par de asas, que tinha côr de sonho e gosto de gôzo.


avuou.


1.7.08

voyer.

a noite veio, eu quis ser dela. fez-se madrugada. o amor é intenso, densa palavra. fujo pela janela, as vezes são incontáveis, às vezes noto, anoto, reviso. até as 10, todas as luzes do banheiro ficam acesas. todos estão na sala (menos o 3º), todos de cortina fechada (menos o 4º). pouco mais, pouco menos das onze e meia, param os barulhos assustadores dos tróleibus. cinco e 35, em tôrno, eles voltam. é rápido, do ponto final até minha rua. (andei duas vezes, só. pra ir e voltar da tamandaré. faz uma volta numas ruas bonitas. -menti, foram três. andei um ponto, quando dormi no aclimação e desci no parque).
da janela eu vejo a antena colorida, da paulista. e tirando a recifense prêta, não tem ninguém pra conversar comigo. (e ela escreve bem a valer, mas não tenho ganas de ela, há tempos).

mastigo o dia.

tenho amor há tão pouco e medo há tanto. como é que amor incorpora, mêdo não.? será que é açúcar e óleo - e ágüeu.?
dobro os joelhos, é bom mandar no corpo, ouço os cachorros, estralo as costas.
cogito um cigarro antes de te acordar.
(são 5 e vinte e subiu um ônibus, pela rua do lado.- de certo desceu, que essa rua só desce.)



quando foi que dei pra achar o cotidiano tão belo.?