22.7.09

[nipo]

durante os dias parecia serena, calma. ria, e tava pra ter alguém que tirasse ela do sério.
mas, já começava a se preocupar. acordava exausta. os lábios cada vez mais roxos dos dentes ferinos. doíam os pulsos, as mandíbulas.
de pronto, desconfiou da namorada, como é que andavam fazendo o amôr? ela só lembrava do gozo.
a namorada, por sua vez, com as olheiras cada vez mais fundas, cochilava a toda hora. é que não durmo bem, dizia. e o estranha flor da desconfiança rompendo todas primaveras, e invernos.
uma manhã, não podia respirar, doíam as costelas, que levantavam vergões.
não foi trabalhar.
quando a namorada enfiou a mão por entre suas pernas, disse: hoje não. e sem esperar o porquê, disse: dorme, amor.
e pronto. dormir, assim? é, é que é lindo te ver dormir.
e ela que nunca fora linda e sem pregar os olhos para o sono, ligou de madrugada pra irmã. que com medo, foi logo. e, seguindo as instruções, se enfiou muda por debaixo da cama.
e não fosse o estupor e susto, a irmã podia ter contado o que seu olho viu.


o sono leve, entre suspiros, dobrou os pulsos, o corpo, as pernas. sem abrir os olhos, se dobrou inteira.
e voou pelo quarto em silêncio: um passarinho de papel.

Um comentário:

Flor de Azeviche disse...

Ver dormir é tão bom...

Beijos, linda Lua ^^