10.6.11

A militância e eu.

Estava conversando com uma amiga das antigas e ela disse: "Você largou de vez a militância, . Triste". Claro que eu, a Rainha da Culpa, me senti muito mal (por ser pelega), mas depois fiquei pensando sobre. Muito bem, eu não me junto mais com um grupo de amigos em nome do comunismo e da revolução social. Não, não mesmo, eu não acredito mais nisso. Tem um cara da faculdade que me chama de social-democrata (e isso desde o tempo em que eu ocupava reitorias por aí), e acho que um semi-conhecido nunca fez um diagnóstico tão preciso sobre mim. É isso, eu sou social democrata.
(O primeiro que disser que eu sou tucana, vai ter que engolir que o PT é de esquerda.)
Eu não vou mais levantar bandeira pra apanhar de polícia. Não que eu achei que não deve haver insurgência: deve. Eu acho que temos o direito e a força de nos rebelar, mas eu deixo isso pra juventude. É importante para a formação do jovem, eu e meus amigos todos fizemos isso e conhecemos gente, corremos da polícia, aprendemos a ter discursos furiosos e veementes. Mas eu sou velha, eu sempre fui. Meu esquema é outro, minha militância é outra.
Acordar cedo no sábado para dar aula da matéria mais chata pra adolescentes, para mim isso é política sim. E eu não acho que eu vá mudar o mundo com uma aula de cada vez. Pelo menos não o macro mundo. Mas se um daqueles alunos conseguir ter um pensamento um pouco mais crítico que a massa, isso será lindo. Se ele conseguir entrar pelo ProUni na faculdade que ele quiser, isso será incrível. Ser a primeira pessoa a se formar numa família é demais, é ter uma possibilidade a mais na vida, ter a possibilidade que seus pais não tiveram.
É uma chance no mundo capitalista, sim, mas onde é que a gente vive? Não acho que seja o melhor lugar para se existir, não sou a favor desse esquema. Mas penso que enquanto a revolução não sai (e tenta-se há mais de um século subverter essa ordem), as pessoas podem ter uma vida menos massacrante. E de igual importância é que todos pensem a sociedade, os direitos, os deveres, os medos, as felicidades criticamente.
Sinceramente, acredito que cabe a cada um de nós, os que se incomodam e não se acomodam, fazer tudo quanto pode ser feito. Não vou levantar as minhas bandeiras de vegetarianismo, ecochata e educadora, mas não dá para ficar quieto. Não dá pra engolir essa coisa na qual vivemos e chamam de mundo.
E, de qualquer modo, eu ainda sou da militância do Amor. E não precisa de passeata, não precisa de bandeira, não precisa de nada. Gentileza gera gentileza, mesmo que às vezes não dê pra enxergar isso. As pessoas são boas, mesmo que elas não saibam disso. Eu não quero desistir do que acredito. E sigo caminhando.
Eu larguei a militância de vez. Triste.

3 comentários:

Anônimo disse...

De vez.
Pelo menos por hoje...

luá. disse...

de hoje.
pelo menos por vezes.

melancia disse...

lua, querida, passei por aqui. depois de décadas da nossa conversa sobre aquarelas e black bird etc. você tem muitos blogs, mas esse me pareceu o mais seu.

não sou social-democrata, mas entendo o que você disse e...enfim, estou eu lá também nas manhãs de sábado por essas e outras mesmas razões.

beijo,
ludmila.