11.9.12

Ode aos óculos.


Nunca vou me esquecer de quando descobri que precisava deles. A minha primeira reação foi culpar alguém (coisa que faço muito bem, distribuir culpas aleatórias). Depois, fui comprar os malditos óculos. Chorando. Quando experimentei o vermelhinho, a luz se fez em minha vida. Ele combinava com a minha cara inchada e meu nariz vermelho: meu óculos ornavam com o drama. Ele me escolheu. 
Lembro de quando eu não sabia limpá-lo direito, e ele sempre estava coberto com uma leve camada ensebada e empoeirada. Da demora em aprender a tirar os óculos antes de beijar. De quando todo mundo saía procurando meus óculos, putos comigo, porque eu o tinha pendurado num lugar idiota: num cabide, junto com a toalha do banheiro, no puxador do armário, no freio da bicicleta. O incrível poder de transformar todo homem num arquiteto viado. Todo mundo dizer: se não tem grau, pra que é que você usa? A horrorosa sensação de acordar depois de ter dormido com a cara enfiada no óculos. O momento da noite em que com-óculos-sem-óculos-tanto-faz, já tá tudo borrado e brilhando, mesmo. A experiência de andar na chuva e as gotas virarem estrelas na lente. O dia que eu pinguei colírio achando que esta sem ele, a gota escorreu na lente e eu não entendi nada. O Psicodália em que dançamos Confraria da Costa em cima dele, e passar o carnaval sem eles. As várias vezes que ele batia no óculos de outra pessoa. Ele mais torto que minha cara nos últimos meses.
Foram 3 anos juntos. Meu primeiro par de óculos. A dor e a delícia de ter eles na cara quase todo dia. Um triste fim pra um amor mal ajeitado.

2 comentários:

a Lu! disse...

É triste perder um amigo mas novos amores são sempre renovadores
Vai na fé

Mariana disse...
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