2.10.08

calculou. mediu distâncias, apreendeu cheiros. ensaiou, mentalmente, cada movimento. olhou, não soube apreender a resposta. a pergunta era dispensável, forjou a resposta.
ignorou gestos.
um pé na frente do outro, decididos, os pés. os dedos, trêmulos, e firmes. fechados os olhos: no escuro não há pecado, não há segredo, não há mistério.

sêde.

do ímpeto do silêncio, rompeu o dessilêncio da respiração. seus mistérios encarcerados, à flor da pele. dobrou-se um milissegundo na eternidade de um arrepio. rolaram hipóteses pelo chão, encheram o ar, entorpeceram os sentidos.
um braço antes do outro, os olhos abertos-e-fechados, pra ver o que se vê, o que se quer ver.

9 comentários:

Flor de Azeviche disse...

Você pode não acreditar, mas eu estava com saudade de vir aqui ver as palvras lindas que voc~e sabe usar. =D
Simplesmente, adorei o que escreveu aqui.
"Para ver o que se vê, o que se quer ver."
Só se vê mesmo o que quer.
Beijos

Filipe Garcia disse...

No escuro, o medo de acostuma. Triste essa escravidão que o medo produz.

Beijo pra você, Lua.

instantes e momentos disse...

muito bom teu blog, bom vir aqui.Gostei. Tenha um belo domingo;
Maurizio

Teresa disse...

acho que esse merecia uma continuação... pra a gente saber do depois hehehe

=*

Bruno Dumont disse...

eu adoro suas palavras inventadas.
teus sufixos e prefixos tbm... haha..

=*

Jaya disse...

“fechados os olhos: no escuro não há pecado, não há segredo, não há mistério”.

Apagar de luzes. E ainda assim, ofuscar em brilho. Porque eu gosto disso de apreender cheiros. Esses mistérios trancados sabe-se lá onde, e que teimosamente insistem em sobressair. À flor da pele. Permissão dos sentidos.

“dobrou-se um milissegundo na eternidade de um arrepio”.

De onde vem essa poesia? Coisa mais linda... Esses versos me chamaram a atenção pelo paradoxo. A efemeridade de um arrepio, que se eterniza. Eu já vivi disso! Daí o alcance. Daí meus olhos entendendo teus sentimentos. Provando deles, outra vez, agora através de você.

Ai, ai...

Cheiro nocê, Lua minha.

- E ando carregando saudades do nosso embolar de palavras. Conversa de botequim, nosso. Rs.

Jaya disse...

Ai, que saudades docê!

Jaya disse...

Deleta o link, Lua. Não é mais meu. Eu volto, mas de casa nova. Trago meu humilde relicário junto, entretanto.

- Teu e-mail eu respondo em breve.

Cheiro.

Dora disse...

medo de abrir os olhos