18.1.11

Por mais que o eleitorado negue, por mais que as pessoas errem. Por mais que eu quase desista, por mais que isso quebre asas, rache copos, sangre ossos. Por mais que o caminho seja árduo, penoso e lento. Eu não espero que seja fácil, eu não acho que será simples. Às vezes eu quase esqueço. Às vezes eu quase desisto.

Eu me sinto como num lugar errado, num tempo errado. Num tempo veloz, em que é melhor ter muito, muito rápido, que criar raízes lentas, cultivar aos poucos e manter por anos a água, o sol. Feito uma árvore. Que precisa estar firme, e pode estar só. Não somos mais firmes. Nunca estamos sós. As pessoas vão esquecendo que só existe EU porque existe TODO. A extrema necessidade de constante companhia cria uma profunda solidão, crônicaguda. E eu sou lenta, sou antiga. Eu quero o cuidado, a morosidade, o i-n-s-p-i-r-a-r-e-x-p-i-r-a-r. Quero ter calma para chorar, quero sofrer tudo. Quero ter tempo de o sangue coagular e a pele nascer. Sem pontos. Sem artifícios.
Não somos apáticos: tem muito tesão, tem muita paixão. E de que vale impulso se não tem porquê? Paixão é desculpa do medo, tesão é desculpa da pressa. Falta tempo para o Amor. Falta respeito ao Amor. Falta Amor. E demorou um tempo pra eu entender que é preciso definir. Porque tudo tem peso, tudo tem nome. Porque não se fazer entender é criar mentiras sobre si.
Que seja feito, que seja livre, que seja romântico. Que seja eterno, platônico, carnal. Que seja Uno, que seja Pluro. Mas que seja sempre. Que seja o mote, o motivo, que dê c-o-e-s-ã-o à existência.

Amor [s.m.] comunhão íntima, coesão com o universo (com ou sem conotação religiosa).


Obrigada por me lembrar que é disso que somos feitos, dessa matéria mole, dessa matéria concisa, precisa, preciosa. Obrigada por me lembrar que existimos por isso, e que é a coesão-de-nós que pulsapulsapulsa - e pulsa invariavelmente na mesma frequência. Quando eu digo e quando eu esqueço. Eu te amo.



para o Ettore. sempre para ele.

5 comentários:

Karla Marrocos disse...

*clap, clap, clap*

(adorei "crônicaguda")

Lorena disse...

que texto lindo...

Brenda Matos disse...

Vixe, eu sou antiga. Me lasquei.

Amei tanto esse texto, ó.
Beijocas

Carolina disse...

cheguei aqui por conta da Jaya. E que lugar lindo! Vou voltar sempre, sempre, sempre!

Beijos.

Allan disse...

Li no da Jaya e vim espiar de novo, após um longo e tenebroso inverno...

Ser atropelado pela pressa constante do hoje é natural; mas quem sabe das recompensas vindouras de uma "pausa de mil compassos" com quem também aprecia a lentidão?

Gostei do texto e da verdade que ele carrega! Não se desculpe por ser verdadeira!

Sumemo, mano!!! XD