9.2.11

Sobre sentir como no colegial.

Só quem lembra da minha euforia quando eu soube que os Strokes tocariam no TimFestival vai sacar sobre o que é esse texto.
Não que isso seja de verdade importante - muito mais quando você faz História, vai entendendo que o marco vale bem pouco, quase nada - mas Strokes dividiu águas na minha vida. Eu nunca vou esquecer daquela noite, em 2001 (!), enquanto eu esperava começar a maratona de 500 clipes da MTV contra o carnaval (isso ainda existe? a MTV não pega aqui em casa - aliás, só pega a globo, a cultura e o canal de leilão de tapetes, bois, jóias e relógios, esse é bom). Eu e minha prima, deitadas no colchão, no chão do quarto da minha mãe, vendo Lado B e comendo pipoca. As pernas debaixo da cama. Quando o Kid Vinil diz: é isso, vamos terminar com o clipe de uma banda nova. E enquanto subiam os créditos do programa, passava Last Nite. Eu lembro como se fosse ontem, a guitarra era diferente de tudo que eu já tinha ouvido. Lembrava Nirvana, mas não me dava vontade de cortar os pulsos. O Julian tinha aquela cara de bêbado que tinham os meus amigos mais velhos (grandes, incríveis e super adultos de 17, 18 anos) e o Albie tocava com o cigarro no braço da guitarra (nunca tinha visto essa grande possibilidade ser executada). Até o charme esquisito do Nikolai-cara-de-psicopata me atraiu. O aquele clipe limpo. Lâmpadas, eles, fundo vermelho. Era como se houvesse outro mundo ainda não experimentado (o que era mesmo. Afinal, eu só conhecia música brasileira, música clássica e rock 80-noventinha).
Foram quatro anos gostando de uns caras que ninguém conhecia (na ZL tem essa, não). Até que aconteceu. Eles vinham para o Brasil! A minha banda, que só eu conhecia! E eu lá. Coração na mão. Até que eu ouvi, aqueles acordes maravilhosos. Julian com roupa de paquito. Nick Valensi com cara de menino estragado - ele existia mesmo! Até a possibilidade de atacá-los (e tudo seria mais fácil porque o Fabrizio fala português) eu cogitei. Eu pensei tudo, e na hora eu não sentia nada. Nem o calor, nem as pessoas me esmagando, nem nada. Era só o som. E pra quem gostava de Mutantes, Beatles, Novos Baianos e Mortos S.A., ver uma banda amada ao vivo era o melhor que poderia acontecer. E aconteceu.
Até hoje eu me lembro do show. O mais marcante da minha vidinha (e olha que eu vi o Paul). E quando eu ouvi a música nova, eu não aguentei. Toda a euforia voltou, a vontade de cantar, dançando de olhos fechados. Podem dizer o que quiserem. Que era previsível. Que não surpreende mais. Que não tem estilo. Todas as vezes que eu ouvir Strokes, eu vou ter 16 anos de novo. Todas as vezes que lançarem música, cd, o-que-for novo, eu vou gritar sapateando. Porque alguma coisa boa tem que me manter forever young por dentro. Mesmo que sejam os 5 nova-iorquinos.

2 comentários:

muita vontade de escrever disse...

E eu ainda estou MUITO ressentida por voc~e ter ligado pra Laira (e não pra mim¹) e chamado ela pra ir (e não a mim²), pagando!! pra ela ir! (e não eu³).
Strokes era a nossa banda com clipe com canecas de café e Thais falando "yeah" e você me deixa às traças : (
Bjsteamomaisquestrokes

luá. disse...

JURO POR ZEUS que no próximo show deles no brasil nós vamos juntas. nem que tenhamos que ir até o acre. <3