2.5.11

Vejo mundo onde não tem.

Tudo começou lendo o blog da Jessica. Até que li um post em específico e lembrei que todas as manhãs, há meses, eu penso em escrever isso, mas quando chego no trabalho eu já esqueci.

Eu sempre enxerguei umas imagens subjetivas no mundo, prontas para serem tiradas da realidade e viradas em arte. A primeira lembrança que eu tenho disso foi de uma viagem com a minha mãe, quando eu tinha uns 6 anos. Todas as noites eu ficava uma eternidade olhando para o lustre, que fazia uma sombra igual a uma menininha com o cabelo preso em dois. Depois disso, era muito comum exergar além do que eu via.
Todas as manhãs, enquanto tomo banho, eu vou achando cenas no meu box. Um beijo de cinema, um cachorro de três patas, uma taça de martini. Já tentei desenhar, mas no papel eles não tem função, assim tão soltas. São só mais um rabisco. (Engraçado eu ir pesquisar imagens, né. Elas já estão na minha cabeça, afinal.)
E daí me lembrei da minha surdez seletiva. Eu ouço bem. Mas ouço tudo errado: e é aqui que as coisas ficam divertidas. A frase é a mesma, mas eu capto duas ou três palavras completamente nonsense, mas que encaixam. E isso garante muito riso por muito tempo, não só pra mim, mas pra todo mundo. Em menor medida, ainda tem o fato de eu trocar palavras (coruja e tartaruga, meu bem, são a mesmíssima coisa, isso não é confusão, é convicção) e a ordem das frases. É um estilo de sabotagem, de comédia no meu estilo.

O meu cérebro se recusa a funcionar de acordo com o modus operandi de tudo. A minha personalidade estranha e autodeterminada destruiria meu corpo se a minha percepção de mundo não se propusesse a interferir claramente no cotidiano. Se o ônibus fosse só o ônibus e não houvesse mágica em como os passarinhos se dispõem no fio, na sequência das placas de carros e padrões na calçada, o que me faria sair da cama todas as manhãs? E sorrindo?

4 comentários:

Michelle, disse...

meshas sao beshas, eu sei.

carbonosalotropicos disse...

que lindo seu texto, me identifiquei muito
e linda a magia da descoxinhação da sua mente
geralmente eu faço contas no meu box do banheiro, não sou tão legal.

e confesso que fiquei com inveja em confundir corujas com tartarugas. amo as duas e acho que elas se completam de alguma forma nessa vida.

a Lu! disse...

Tu e a Jéssica me fizeram sentir normal, pensando nos muitos poodles que eu vi no mármore das escadas da liba. E sóbria. : )
E novamente fico feliz em achar gente estranha como a gente

Rô disse...

É....também me vi nesse texto... principalmente pelo fato de trocar palavras.
Algumas vezes quando quero completar uma frase e invento (sem querer) uma palavra que nem existe na língua portuguesa! e acredito nela!
Quando percebo a "falha" digo é uma plavra que inventei.rsrsrrs
Ps. dificilmente lembro-me das palavras que invento.=P