22.11.11

Eu preciso mudar o mundo - mesmo que eu não ganhe nada com isso.

Eu não entendo porque a paixão com a qual me devoto a tudo não é o bastante. A paixão de um nunca é o bastante, nunca supre esses vazios que insistem em persistir por entre as frestas, por entre os dedos, entre os projetos. O desejo de um não muda o mundo, porque um é muito pouco, um é muito só, um é muito frágil. Entregar-se não significa que as pessoas saibam receber, sangrar não significa que as pessoas saibam cuidar.

MAS.

A vida insiste em me entregar caminhos, em abrir passos em que meu coração fica amparado, abraçado por esses humanos tão demasiadamente gente. Tão demasiadamente quentes, moles, intensos, pulsantes. Eu não resisto à essa força que só essas pessoas tem de me fazer inspirar, quando o passo é de cair, quando o rumo é se perder, quando tem fumaça demais cobrindo as minhas estrelas.

E.

Ainda que se respire, eu não consigo pensar em tantos de nós caídos pelos caminhos, tantos abraços partidos, tanta gente que vai morrer. Eu não consigo endurecer, não dá para passar concreto nessas humanidades que a cidade destrói, que o bicho homem corrói. Porque um a menos é muito a menos, é muita perda, é muita dor.
Eu sigo amando cegamente, tudo quanto vejo e sinto. Sigo amando cegamente tudo que desconheço e não entendo; e então minha voz insiste em fraquejar, meus olhos chovem muito. Porque tantas vezes parece que sobrou um só, um bloco do eu sozinho, tremendo de medo contra um mundo gigante, e sem sorriso.

Me dê sua mão?

3 comentários:

Nathane Dovale, disse...

mesmo que eu não ganhe nada com isso não, eu vou tentar...

Jaya Magalhães disse...

Precisei reler muitamente isso daqui. De novo. Às vezes seus textos viram verdadeiros mantras em minha vida.

Eu não sei não amar você.

Neide A. de Almeida disse...

Não paro nunca de descobrir em você alguém muito, muito sensível. Um ser absolutamente poético, político, humano...Você sempre me emociona. Obrigada, minha filha!