11.7.12

Descaminhos.


Eu saí de casa ainda mais cedo. Queria te comprar flores, só pra te ver perder o jeito, ficar calada, oblíqua, vermelha. Ensaiei mentalmente como enlaçaria sua cintura e como seu riso seria frouxo e tímido. Ensaiei olhares, preparei meus melhores versos, para que soassem naturais. Tingi tudo quanto pude de vermelho.
Brinquei de pisar nas pontas dos pés, brinquei de ter notas musicais nas calçadas. Eu te levava um sonho musical de muito tempo, um desejo bruto e sublime, eu te levava meu peito aberto. Eu levava toda a minha paixão adolescente do amor de longe, eu levava todo o tesão de amar as pequenas. E tinha muito caminho para os meus pés.

MAS.

Os pés trilharam rumos que eu não sabia. A vida me cobrou mais alto do que eu sabia gritar de volta. Fugi do teu caminho, mastiguei uma a uma as pétalas das rosas. Andei o percurso inverso, sem nunca ter te estreitado num abraço, com o peso da culpa e uma enorme ausência de você.
Passei o dia na cama, febril, ensaudadecida, cansada. Sinto falta dos teus dedos no meu cabelo. Queria ter sua pele acariciando as inflamações oníricas da minha pele. Queria dormir no teu colo seguro, antes de a vida voltar a ser real. 
A respiração desafoga, é superficial, o sono lambe minhas pestanas e te encontro num lugar a salvo do mundo.

Um comentário:

Nathane Dovale, disse...

tão lindo que doi.