11.3.09

[ l a c u n a ]

não te dizer o que eu penso
já é pensar em dizer.
(e o esforço pra
lembrar é a vontade de esquecer.)

não foi de propósito. beijou cada uma das bocas, lembrou das posições que mais agradavam na cama, as fez.
na sucessão cruel de músicas, cada amante abria abrupto a porta, estuprava suas lembranças, com uma doçura e uma rudeza que ninguém pode ter, só nas hipóteses, mesmo.
nenhuma lembrança falaciosa teve casa, só o mais cruel do real. não teve força. apertando um botão e a dor podia cessar, mas o rádio rolava o mais tétrico que havia de som.
amor era uma hipótese distante, e sofrer era de muito mais gosto e gozo. amor era uma mentira de outros tempos, que ela insistia em fingir acreditar-gostar-sentir.
ela já não era mais eu. e eu, mais ela que nunca.

(lacuna inc. é o caralho, quero sofrer até não sobrar nada.)

6 comentários:

Cleyton disse...

Nossa. =D

Flôr de Azeviche disse...

Uoooouuu
[Que saudade de tu hein?!]

Beijos

Jaya disse...

Foda - é a palavra que me veio, assim, tão logo as palavras penetraram no íntimo.

É que ser o outro, quando ele já não é mais você, dói. E eu nunca vivi, mas senti.

Do resto, não sei. Aliás, fico pensando: talvez seja melhor o não sobrar-se, ao ficar com as sobras.

Te beijo, amoreco.

bruno dumont. disse...

sentir, sentir, nada mais que sentir.
quero morrer de sentido.

bruno dumont. disse...

(e ainda morro!)

Natália disse...

Melancólico, obscuro e apaixonante...

Concordo de que "o esforço pra lembrar é a vontade de esquecer".

Estou lidando com o esquecimento, e preferindo acreditar que sou tão ele, quanto ele é eu.


Adorei o post!

Bjos e td de bom!