25.3.09

[ v i n t.a g e ]

Quando deu por si, estava ali. Parada à porta. Não se lembrava do caminho que havia feito, só se lembrava sempre de fugir das portas. E lá estava. Em frente a uma porta. Meio sem jeito, sem poder ir pra outro lugar, bateu.
- Eu te esperava.
A jovem que abriu a porta, parecia cansada, mas sorria. Qualquer coisa de familiar naquela sala, com tantas moças parecidas, com tantas crianças de mesmo sorriso.

- Parecia que você demorava...!
- Eu avisei que vinha?
- Nem precisava.

Estava confusa. Não sabia aonde estava, nem o que tinha feito, por merecer. Olhou pela janela, e a casa era toda torta. parecia tomar conta de mil caminhos. Aliás, ela via pouca coisa que a casa não cobria.
As crianças eram estranhas. Tinham qualquer coisa de familiar, e um olhar opaco, um sorriso perdido, estavam lá, n'outros caminhos, não na sala. Umas meninas mais velhas odiavam tudo, isso estava estampado. E agora, essa última. Um sorriso de perdão, como quem entende a dor, e sabe fazer diminuir.
As fotos, os brinquedos, uns baús bem pequenos, cheios de segredos, enfiados pelas sombras. As cores. A casa parecia recém-pintada, as cores pareciam velhas, mas ainda bonitas. Tocava uma infinidade de músicas, simultâneamente. Mas, elas ornavam no conjunto. Era a maior casa que já vira, ainda que vista de certos ângulos, fosse não maior que um quartinho de fundos.
Livros forravam as paredes, tapetes se sobrepunham pelo chão. Ela SABIA que coisas ali eram irreais. Mas tudo era, com a licença maior de ser-sem-razão.

Chegou como um susto, como um estupor. Estava na casa de seus dias, sozinha. Levando a enorme carga de sua ultra-existência. Soube que carregaria cada uma delas; em seus braços, suas costas, arrastando pelo chão.
Enquanto houvesse casa.

--
Foi quando abri minha porta de destino, aceitei meu passado. Dei a mão a tantas de mim, que sempre me esperam chegar.

4 comentários:

Dora disse...

como ela, eu vim.
=*

Natália disse...

Não sei onde estão as tantas de mim. Mas nossas mãos estão soltas =/

Bjos e td de bom

paulo calvet disse...

como conheces?
desejo-te, não sei porquê, pitadas de manjericão.

Jaya disse...

Dou minhas mãos, também.
Sem saber se.

É, já não sei onde chegar, e não encontro mãos de mim.